Dezembro 3, 2008...8:20 pm

Meninice

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Conto que garantiu o 2º lugar no 5º Prêmio Joinville de Expressão Literária 

Sobretudo vejo o arquipélago ao afogar os pés na porta do quarto. Desacendo a claridade e coloco-me em postura de como quando avistei-as no mundo em primeira instância.Elevei as pálpebras e percebi: elas olhavam para as minhas – para as mãos, principalmente.

Ontem anoiteceram espantadas: ao adormecer, eu pequei a maior das dores de uma vida adulta cruelmente antecipada. Não havia feito minha prece como nas infâncias passadas.

Logo juntei as mãos, entrelacei os dedos e penumbrei os olhos com força; tanta de amassar os cílios. Nesse instante, meu inconsciente presenciou um estado de entrega total; dentro de uma ingênua meninice.

Os astros quase em plena decepção forçaram sorrisos de alívio.

Passado as horas, principiou o sol. Fez guardar, pois, as estrelas suas contidas confissões dessa quase desarmonia.

Despertei com a janela do quarto gritando em raios de luminosidade.

Fiz uma prece.

Aquela de uma inocência que implora saudade.

Tive o pressentimento de estar num gramado extenso com árvores de todos os tipos e balas de morango e abraços de comprazo. Pernas curtas e joelhos ralados, pés descalços ou sobre galhos traiçoeiros. E sonos embalados que meu avô me presenteava.

Abri os olhos e desentrelacei os dedos.

Mas a infância já havia passado.

 

2 Comentários

  • São raras as pessoas que tem o dom da palavra..e vc,certamente é uma delas!Voce flui,babe..Lindo texto.Tão suave e colorido qto as brincadeiras da meninice* de outrora!
    =)

  • embora eu nao seje do seu mundo gostei do trabalho. uma pena que qualidade nao seja sinonimo de audiencia. um grande abraço.


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