Mais uma parte de mim que eu deixo! É esta a primeira frase que meu pensamento dispara toda vez que encerro a leitura de um livro. Não sei como é possível, mas me envolvo tão intensamente com cada página, que toda vez que termino seu desfrute, sinto-me com se estivesse deixando ali um pedaço de mim. Alguns, em sua maioria, me algemam desde o princípio, no momento em que os abro. Geramos, então, nosso primeiro contato. É logo no início que percebo o vasto caminho que ainda terei de passar. Me deparo com pedras, depressões, montanhas em fase de crescimento, vulcões que quase me repelem do caminho dessas páginas, deparo-me também com o meu “eu” sempre que meus pensamentos mergulham além do que o superficial permite adentrar.
Não sei quantas vezes, ainda, terei o prazer de pronunciar estas palavras… francamente, espero que várias! Então, logo me toma um sentimento que deveras me faz sentir falta de posse do espírito. Em contrapartida, encho-me de um determinado ânimo que prefiro denominar “fome”. Ânimo este que me instiga a grudar sua última página à primeira do próximo, como se estivessem coladas uma à outra.
Isto é o que me faz sentir mais útil, instigada à continuar no caminho onde o buraco da ignorânica diminui e dá espaço ao alimento dessa tal fome.
É questão de segundos: eu fecho o livro e à partir de então, todo o processo me serve de combustível para que eu entenda que para sempre haverá uma parte dele, então, alojando-se em mim e uma imensidão de pedaços meus fazendo dele, nova habitação.
3 Comentários
Novembro 25, 2008 ás 5:59 pm
Olá Heloisa!
Pensei que nenhum dos finalistas teria blog, pois procurei, procurei e somente agora encontrei (com o seu comentário lá no meu blog).
Sim, vamos conversar, trocar idéias! Acho isso fantástico, aproxima os literatos da região, que a meu ver não gostam de ser muito próximos, infelizmente.
Um abraço e nos vemos na sexta!
Jorge Moisés
Novembro 27, 2008 ás 2:41 am
Seu apreço pelos livros é bom, querida. Bom mesmo seria que todos o tivessem um pouco. E sim… dói quando acabamos de ler um livro, ver um filme e deixamos alguém. Toda perda é, de certa maneira, dolorosa. Porém, há o que fica, fica em nós e, por isso, salva.
http://www.poeses.blogspot.com
Espero-te lá,
abraços.
Novembro 27, 2008 ás 3:39 pm
Que bacana sua reflexão! Eu também sinto isso, mergulho no livro e no final penso: que pena! Na verdade, como sintetiza no título, não é que perdemos, apenas perdemos a velha percepção e temos o trabalho de construir outro eu a partir de cada experiencia marcante como um livro q gostamos. Dá trabalho, mas é ganho, evolução. “Uma mente q se abre a uma nova idéia jamais volta ao tamanho original”Einstein
beijos