Por um momento de descotentamento resolvi pensar no que seria de toda e qualquer existência se não houvesse esse dia: o ontem. Se por acaso não tivesse existido o dia sete de abril de mil, novecentos e noventa. O que haveria se não explodisse esta data antecedente ao oitavo deste mês, o meu dia? Eu simplesmente não o teria e o universo não me teria tomado para si.E por milhares de perguntas os questionamentos surgem nos tomando conta cada vez mais através de uma incógnita que por um triz não denominamos incompreensível. E se não soubéssemos da importância de nossos dias? Ontem existiria? Talvez simples apenas como mais algumas horas de sobrevivência.
O que seria de nós se não existissem todos os dias que antecedem esse em que vivemos? De quantos “ontens” se faz um ano, uma vida?
E descobri que hoje posso milagrosamente viver porque esse ontem lhe entecedeu. E pela forma mais natural do mundo, hoje será o ontem de amanhã. Só ainda não cheguei à conclusão de que se é mais cabível pensar no que seria do amanhã se não houvesse o ontem, ou o que seria de seu antecessor se não nascesse o dia seguinte.
Talvez não soubéssemos da duração de nossa existência. Talvez não chegaríamos a completar uma próxima primavera, tampouco os dias em que a memória nos falhará e de súbito, esqueceremos que dia é hoje. Ou pior: quem sabe, fosse ela composta apenas por um só dia. Por sorte, um ontem.
1 Comentário
Setembro 4, 2008 ás 3:04 am
Oi vim aqui pra te mandar um poema e dizer que gosto muito de vc!!
gato que brincas na rua…
Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama
Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.
És feliz porque és assim
Todo o nada que és é teu.
E vejome e estou sem mim,
Conheço-me e não sou meu.
(fernando pessoa, 1-1931)
dê:(Juliana maria de frança da silva)
para:(Heloisa fernanda rech