Agosto 26, 2008...7:03 pm

Devolva meus pedaços acompanhados de você

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Tudo estaria no lugar se aquela passagem acontecesse como todas; Se a coincidência, ou o surpreendente destino, quem sabe, não me guiasse àquele lugar…
Se eu não tivesse lançado meus olhos no profundo dos teus… [a nossa íntima magia]
Talvez, se não nos esbarrásse-mos naquele súbito… – O lugar já nos esperava. Fui em direção ao nosso encontro. Procurei, reparei ao meu redor e cheguei a pensar que tudo pudesse ser minha fantasia manifestada; mas de repente eu o avisto. Acontece uma conversa. E questiona minha presença naquele lugar. Então algo como imã nos aproxima.

 

Sinto-me tão bem em sua companhia!

 

Nosso contato foi fantástico. Me abraça, envolve e então, beija. Logo lembrei que essa sempre foi sua tática. Você não precisou falar, a magia que guarda em seus olhos confessou-me o quanto esperava pelo momento – aquele instante – em que nossa alma e corpo uniriam-se numa harmonia intrépide.
E chegou… Chegamos; e chegamos tão perto que no momento em que meus lábios sentiram a leveza dos seus, flutuei contigo junto do nosso doce beijo.

 

Então, o pior aconteceu. Aos poucos, fomos distanciando-nos. Os pés deram um passo atrás, o corpo se desvencilhou… Minhas mãos ainda acariciavam seus cabelos, mas logo afastei-as para que a dor não sobrevivesse à distância.

 

De repente, nossos lábios sepultaram a fragilidade do encontro que há segundos tinha-se consumado. Desunimo-nos, e os fragmentos seus que firmaram-se em mim explodiram no ar, exatamente como aconteceu quando meus pedaços que restaram em ti o fizeram – numa dor imensurável – minhas sobras incompletas forçaram-me a nos afastarmos. O imã do lado oposto repeliu-se. Ficamos longe; mais longe, cada vez mais distante até que não se via nem mais vulto, nem enlace, nem encontro. Via-se distanciamento.

 

Você seguiu o caminho e eu fui embora; imaginando repetidas vezes o dia em que nos tomaremos outra vez, usufruindo-nos de nós mesmos, juntando nosso quebra-cabeças e os fragmentos sendo unidos outra vez… desencadeando aquilo que cravamos no peito, pois essa história é só nossa, não estará escrita em nenhuma livro, mas viverá na nossa lembrança. No mais, não façamos disso uma despedida, e sim, um até breve.

 

Que esse breve seja logo, muito perto. Caso contrário, viverei incompleta, com meus pedaços em você, desfragmentando-me a cada dia, por lembrar de falta que por instantes foi presença, prazer intenso.

 
E agora tornou-se apenas lembrança.

 

Heloisa Rech

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