O silêncio é agudo. De tão, torna-se insuportável e doído. Desespera; apesar de me contradizer em citar que por vezes necessitei deste vazio indispensável em meio à sinfonia do caos diário. E assumo: é um vácuo em que preciso estar adentrada. Mas dói.
De tão seco e gélido, faz-me sentir a audácia refletida em dor que inúmeras vezes me termina por ensurdecida.
E cega.
Sou órfã desse som que derrama por entre os devaneios escorregadios e sem cor a ausência de luz. E de tom.
Porque infinitas vezes fez-me doente e insuportável. O resultado foi sua íntima cegueira e meu próprio congelamento. E este seu que é agudo: silêncio profundo.